domingo, 9 de outubro de 2011

Esquizofrenia Múltipla

Mesmo em um só
Sou tantos que já perdi a conta.
Sou dois, meu mandão e eu rebelde,
mas sou dois chatos.
Das letras, da história e das leis,
sou de tantos que eu já nem sei
de quanta coisa me aproveitei.

Acho que sou único por isso
Faço de tudo um múltiplo.
Ser caleidoscópico é um perigo
Propago-me pra tanto lado
e acabo formando tanta imagem...

Sou signo, idade, castigo
Tanta coisa que nem cabe em mim
e extravasa, espirra por todo meu corpo.
Causo morte, olhar, abrigo.
Busco casa (cama, mesa, banho e carinho)
qualquer lugar onde caiba eu,
outro mim e outros tantos
de um alguém que está só
mesmo com muita gente no espelho.
Sou tantos tanto
que eu já nem sei de quem eu realmente estou falando...

4 comentários:

  1. Metade Clarice, Metade Ferreira Gullar.
    Lindo poema, Guilherme.
    Acho que no fundo, todos nós, somos feitos de mosaicos. Aquilos que pensamos que somos e o que pensam de nós. Aquilo que representamos e aquilo que sonhamos ou inventamos ser.

    Beijos

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  2. A Michele sempre me deixando honrado com seus comentários...

    Obrigado!, beijos

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  3. Pra variar, chorei.

    Belo poema.

    Te amo meu escritor favorito.

    Bjuuussss.

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  4. Katia,

    bem comentário de mãe né!
    Te amo minha puxa-saco favorita.

    beijos

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